pois é

Vives à minha frente num mar de água doce e de ondas planas.
Mergulhas nos meus cabelos e dás movimento a um peixe morto.
Um peixe que não respira por guelras mas por gestos. Tímidos e secos.
Dás-me movimento orbital. Fixo e desequilibrado.
Vejo-te. Vivo-te. Canso-me.
Delicio-me.
Respiro-te como fonte de vida única.
Procuro-te por entre um piso escorregadio que me prende a uma espécie de sentimento desesperado,
que me enlouquece.

Aprendemos a viver neste sítio estranho.
Um dia de cada vez, como se cada dia fosse o último.
E é.

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