desarrumado

“veste-te e sai”. 

e enquanto me tentavas expulsar assim, sem mais nem menos,
tentava encontrar a solução mais rápida, sem que por isso fosse a mais fácil,
de me rasgar aos bocados e ser capaz de colar a boca ao tecto,
sem tentativa alguma de posteriormente me voltar a colar.
de todas as emoções que transpirámos antes desse momento
só nos faltou mesmo a parte de sermos capazes de as sentir com emoção.
não tínhamos sufixo, nem prefixos. como se nada se tivesse passado antes
e muito menos viesse a passar-se alguma coisa a seguir.

só queria que o que foi nunca mais voltasse e o que havia para ser,
que fosse novo e diferente de todos os dias.
cada um por si. cada um sozinho. individual.

“ouviste? veste-te e sai”

se por azar nos juntássemos outra vez,
ia saber de cor como colocar um mute definitivo ao teu coração.
mesmo ligado, o despertador não tocava. e eu nunca mais ia chegar atrasada a lado nenhum,
porque já não tenho nenhum sítio onde chegar a horas.

muito menos para chegar a ti.

“veste-te e sai” repetias tu
com o intuito de eu me ir embora de uma vez por todas.
como quem faz um unfollow  breve. que permanece.

arrumei as minhas coisas ao mesmo tempo que te arrumava a vida.
desarrumado.

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