semi-qualquer-coisa

sempre preferi ouvir-te por entre a porta.
como se a fechadura fosse capaz de filtrar o que dizes.
assim só me obrigavas a ouvir algumas das palavras que dizias. algumas.
ainda que todas em vão, sem que o soubesses.

desta vez, peço-te eu para que saias.
e de vez.

sempre te preferi assim. incompleto.
semi-frásico.
tal como me deixaste a mim: semi-qualquer-coisa.

desta vez, peço-te eu para que saias.
e de vez.

só ficava contigo com uma condição: que ficássemos assim para sempre.
tu desse lado da porta
e eu deste.

é sempre mais fácil quando não te vejo,
constantemente à procura de sabe-se-lá-o-quê, misturado sempre com as minhas coisas.
sempre tiveste um certo problema em saber separar isso. “o material que me diz respeito é aquele que não te diz respeito nenhum.”
tal como sempre foste incapaz de separar o que me irrita, daquilo que fazia questão que o fizesses todos os dias.

incompleto.
fazias sempre tudo ao contrário.

desta vez, peço-te eu para que saias.
e de vez.

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