mil.

era sábado.
ou a tua cara fazia sentir-me num sábado,
igual a tantos outros sábados.

sentada por entre os inúmeros rascunhos que fui fazendo da minha vida
sem querer,
estavas irrequieto.
e tinhas uma facilidade inata em pegar-me tudo o que sentias com o olhar.

enquanto palavras soltas me subiam pelos joelhos,
os manuscritos sem sentido que me deixaste nas costas
começavam a dar-me comichão miudinha.

estavas irrequieto.
e era sábado.

a pergunta surgiu.
e a minha retina procurava uma possível distração à tua voz.
virava-me a mil à hora para tudo o que me rodeava.
menos para ti.

só queria fugir à tua maldita pergunta.

“ouviste?”
foi então que parei de tentar dar vida e movimento
a tudo o que era fixo e imóvel.
não conseguia fugir de ti. nunca consegui não foi?

“ouvi.
(digo ou não digo?
não, desta vez tenho que dizer)
e sei que odeias sábados tanto quanto eu odeio segundas mas,
é importante que hoje percebas uma coisa: 
existem dois tipos de amor não similares.
e que, por mais que tentes,
são incapazes de se juntar: o teu. e o meu.  “

inclinou a cabeça e antes de sair, disse:
“já ouvi.”

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