“isto passa”

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E foi então que me apercebi que a felicidade podia ter fim.
Ou que todos aqueles protótipos da mesma, não passam de metáforas às quais, ironicamente, lhes assumimos sinónimos. Como se fosse possível acrescentar mais algum significado ao facto de já se estar feliz.

Foi então que me apercebi que a felicidade podia ter fim.
Enquanto me punhas as malas à porta de casa e me expulsavas da tua vida. Naquela tentativa erro à qual juntaste todo o teu empenho e com vontade de que a tua casa, nesse exato momento, fosse a tua vida. E por isso expulsavas-me dela. Expulsavas-me . Desde que fosse para longe de ti, com tudo o que podias e não podias, ainda que a tua vontade se extinguisse em pouco tempo.

Desculpamo-nos vezes de mais e fingimos vezes sem conta num “isto passa” envergonhado ou num choro silencioso, como se quanto menos pessoas ouvissem, mais difícil fosse tornar-se verdadeiro.
Irritam-nos os casais apaixonados por vermos que têm algo que nós não temos, ou por simplesmente o que temos a mais que eles ser negativo e não o contrário, como tantas vezes tentámos acreditar.
Abraçámos eventos a dois, como significado da única escapatória que temos do nosso mundo e, sem querer, esquecemo-nos de nos abraçar os dois.

Foi então que me apercebi que tudo pode ter um fim, quando deixamos perder-lhe o início, o porquê de aqui estarmos os dois nesse mundo que chamamos de nosso. De nosso.
Tudo tem fim quando deixamos que o inicio se apague, que se esqueça por entre gritos e portas a bater. Como se esses gritos e essas portas surgissem através de um alarme de incêndio, que toca como forma de aviso de que o perigo existe e a realidade de que o mesmo está próximo. E o perigo só assusta de tão simples e rápido que é. É um perigo sermos capazes de nos imaginar um sem o outro. Imaginarmo-nos a acordar e a deitarmo-nos um sem o outro é, …perigoso. É um perigo tornarmos isso rotina porque queremos, tornar-se naturalidade dos nossos dias, horas e minutos quando esses dias horas e minutos pareciam semanas quando ficávamos um sem o outro. E onde ficam todos aqueles avisos a que fomos submetidos, todos aqueles alarmes que tocaram e que, por preguiça de sermos um para o outro, carregámos no snooze? Aprendemos desde cedo que nem sempre a tentativa mais fácil é a mais acertada mas, com o passar dos anos, achamos ter coisas mais importantes a reter do que isso. Preferimos fazer novamente snooze às aprendizagens e às memórias passadas, deixando que a lista de tarefas se encha de banalidade diárias. Àquelas a que não pertenciamos e que sempre dissemos não querer pertencer.
E é a partir desse momento que cruzamos os braços, como se isso significasse que, ao mesmo tempo, fossemos capazes de cruzar o coração. E aí que ganhamos a certeza de que não há nada que possamos garantir como nosso. É que nos apercebemos que isso acontece por já não termos nada que nos pertença.

Abraçámos tantas coisas os dois que acabámos por nos esquecer de nos abraçar os dois.
E foi então que me apercebi que a felicidade podia ter fim.

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