carta aberta (ao), amor.

Demorei muito tempo a aperceber-me que não és perfeito, outro tanto para assimilar que é possível as pessoas se amarem assim, imperfeitas, e que mesmo que exista um qualquer tipo de perfeição “boa”, que essa se compõe através de defeitos reconhecíveis por ambas as partes.
Às vezes é muito difícil gostar de ti. E sei que às vezes se torna insuportável gostares de mim. Ainda assim, somos dotados de uma medida incomum que nos equilibra mesmo quando tudo se encontra de pernas para o ar. Ou quando tu insistes que o teto é onde eu bato o pé a dizer, com toda a certeza, que é o chão.
O facto de nunca ter conhecido ninguém tão parecido comigo como tu, faz-me pensar que pertencemos àquela minoria que se afasta do provérbio de que os opostos se atraem. Em compensação, somos prova de que é realmente preciso gostarmos muito de nós próprios para conseguirmos gostar verdadeiramente de alguém. E o amor é isso (ou não?), um sentimento que deixamos que cresça noutra pessoa por já não termos espaço suficiente em nós. É mais ou menos como quando se engravida mas aqui a semente é diferente e não dá barriga. E é de barriga cheia de mimos, partilhas a duas mãos e gargalhadas que acabam numa boca só, que te confesso querer continuar as descobertas a quatro pés, com o desejo de multiplicar estes quatro por muitos mais.
Em quatro anos dá-se muita coisa, recebe-se outras tantas e, quanto ao que se guarda, começa a tornar-se incontável. Aprende-se a pedir mais vezes desculpa (ouviste?) e a dar o braço a torcer por mais tortos que sejam os donos desses braços. Mas há também coisas que a personalidade nos impede de alterar (e ainda bem), mais que não seja pela inércia inalterável de por quem nos apaixonámos: não consegui deixar de amuar e continuo a refilar por tudo e por nada, mesmo que o nada me pareça tudo e que o tudo acabe por se mostrar ser nada. Em relação a isso, defendo-me com o facto de ter aprendido a dar mais do que receber e que nem sempre quando se dá é importante haver retorno imediato.
Em quatro anos aprendi que o amor perfeito não existe e, quando dizem que existe, então não é amor.

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