Bruxedo?*

Entristece-me o facto de se continuar a seguir tendências pobres, de mentes ainda mais pobres ou que as próprias tendências se guiem apenas por fatores de interesse ou através de conhecimentos no meio. Pelos vistos também ele pobre.

Percebi que acreditar só não chega, por mais que por detrás disso saibas e te digam que está um bom trabalho. Fiquei muito triste por ter perdido o Prémio de Literatura Infantil do Pingo Doce, ou melhor, por não o ter ganho. Sim fiquei mesmo mas sou sincera ao dizer que fico ainda mais triste quando vejo adultos – que deviam possuir mais conhecimento e mais bom senso que eu –  a apostar em histórias que não trazem NADA de novo às crianças. Não trazem questões nem interrogações próprias, não trazem pensamento nem curiosidade sobre. Trazem apenas mais do mesmo, ao mesmo tempo que não trazem nada de novo para a mesa. E consequência disso é a abundante escassez de conversas, também à mesa.

Vive-se cada vez mais num mundo em que a leitura se perde ou se esquece, em que há cada vez mais dificuldade em transmitir hábitos de leitura ou em tornar a própria leitura um hábito querido, longe de obrigações escolares ou paternais. Porquê? Por causa disto. Por vossa causa. Porque continuam a escrever histórias sem história nem estórias. Fazem o contrário do que devia ser feito e imagine-se, galardoa-se as pessoas por o fazerem em vez de se ralhar com elas.

Se os adultos se fartam rapidamente de ver coisas repetidas, imaginem uma criança que não pára quieta 5 minutos e já acha velho um brinquedo que recebeu ontem. As crianças são mais inteligentes que vocês e, quando tratadas como tolas, perdem de imediato o interesse. Ironia das ironias, já as crianças esqueceram e vocês ainda continuam a achar isso interessante.

A ideia do concurso era muito boa, o prémio idem. O resultado? Vergonhoso.

A vencedora não cumpre sequer o número de caracteres mínimo exigido no regulamento, escreve coisas já vistas e revistas e, mesmo assim imaginem, é professora. Mas que sorte a dela que mesmo sem saber “ler nem escrever”, ganhou. Ganhou além de um livro editado e diz ela a concretização de um sonho, 25 mil euros. Espero sinceramente que lhes dê um melhor uso do que aquele que mostrou desta vez e que dizem oficialmente ser o melhor entre 1600 participações.
Procuram novos talentos, dizem vocês? Sorte a dos que têm conhecimentos. Ainda que uma palavra rime com a outra, neste caso em nada se aproximou.
Sejamos todos umas Margaridas Rebelo Pinto, digamos todos mais do mesmo desde que esse mesmo se traduza em vendas. Ou em compras. Para nós próprios.

 

 

* “De onde vêm as bruxas” foi o conto vencedor do “concurso”.

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